Sobre a privataria
O jornalista Aloysio Biondi mostrara, agora já faz mais de uma década, como o patrimônio do país fora rifado naqueles primeiros anos de governo FHC. Seu O Brasil Privatizado vendeu mais de 125 mil exemplares desde que foi publicado, em 2000. Os dados que aí exibiu, devidamente fundamentados, eram estarrecedores.
Biondi não foi o único a levantar e denunciar o que seria considerado, por alguns jornalistas, como “Privataria”. Eram os anos da farra cambial, comandada por um governo tido como irresponsável, e dos enriquecimentos súbitos, de algumas gentes próximas do poder de então. Apesar das evidências reunidas, por Biondi e outros, não houve marcha anticorrupção. Nem se tem notícias de julgamento e prisão de responsáveis pelos atos denunciados.
Amauri Ribeiro Jr. é um jornalista de nossos dias. Já trabalhou em publicações como O Globo, Isto É, Correio Braziliense e Estado de Minas”. E amealhou, ao longo dos anos, três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog.
Na sexta-feira passada, Amauri Ribeiro Jr. lançou um livro sobre a polêmica privatização levada a efeito nos anos do governo FHC. Ainda não li todos os 16 capítulos, espremidos em suas 343 páginas. Ademais de dados e informações, que incluem muitos nomes de gentes próximas do poder de então (o livro fecha com um providencial índice remissivo), há indicações, fartas, de fontes e documentos em que tais dados e informações, afinal, se baseiam. Consta que todos os 15 mil exemplares de A Privataria Tucana tenham sido vendidos já no primeiro dia em que chegou às lojas. Tamanho sucesso de vendas levou à suspeita de que pessoas próximas a José Serra, principal personagem do livro, poderiam ter adquirido grande parte dos exemplares dessa primeira edição disponíveis nas livrarias. Parece que não passou de suspeita. De toda forma, em vista do êxito inicial, outros 15 mil exemplares passaram a ser impressos, devendo alcançar as livrarias até o dia de hoje.
À cidadania cabe conferir se os documentos (em que se baseiam as informações contidas no livro) são verdadeiros. E se o jornalista e seus prêmios são verdadeiros. Se forem, então, cabe que se dê à cidadania a devida satisfação.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Privataria é apologia ao PSOL
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